Chapecó sedia Etapa do Circuito Catarinense de Tênis de Mesa

Entre os dias 11 a 13 de agosto acontecerá em Chapecó, no Ginásio de Esportes Ivo Silveira, a IV Etapa do Circuito Catarinense de Tênis de Mesa. Participarão do evento 192 atletas, de 21 clubes de 19 municípios catarinenses.

O circuito leva o nome do atleta Cleberson Fernando da Silva, uma das vítimas do acidente da Associação Chapecoense de Futebol e é uma maneira de homenagear aquele que sempre lutou pelo esporte e também uma forma de preservar sua história no cenário regional e estadual da modalidade. Durante as atividades do evento também será reinaugurado o Centro de Treinamento Cleberson Fernando da Silva de Chapecó que passou por reformas. Foram realizadas melhoras na escada de acesso, pintado o piso e colocado Tapete Taflex (especial para o desenvolvimento das atividades).

Cleberson Fernando da Silva

Cleberson Fernando da Silva nasceu em Chapecó, dia 22 de novembro de 1977. Formou–se em Jornalismo em 2001, e desde pequeno gostava muito de praticar esportes, e uma dessas modalidades, o tênis de mesa, foi muito mais que apenas um praticante, se tornando referência, promotor e principal incentivador desta prática na região Oeste de Santa Catarina. Mas as primeiras investidas de Cleberson no esporte não se deram no tênis de mesa.

Em meados da década de 80, com sete ou oito anos de idade, ele ingressou nas escolinhas de futsal da AABB em Chapecó. Permaneceu no futsal por alguns anos e lá construiu laços de amizade que perduram por toda sua vida. No final da década de 80, por motivos pessoais, decidiu afastar–se da escolinha de futsal. Sua primeira investida após a saída do futsal foi o voleibol, o qual não ficou por muito tempo. No ano de 1991 iniciou em Chapecó as escolinhas de tênis de mesa, e ali Cleberson conheceu a modalidade que levou consigo para toda vida. Ele teve ainda contato com o basquetebol e o xadrez, neste último frequentando por muitos anos o centro de treinamento comandado por Marco Barbosa.

Porém, foi no tênis de mesa que Cleberson atuou em todas as frentes: foi atleta, auxiliar técnico, técnico, coordenador, árbitro, coordenador de competição, assessor de imprensa, gestor de entidades, e por último presidente da Associação Desportiva Chapecoense de Tênis de Mesa, vice–presidente da Federação Catarinense de Tênis de Mesa (FCTM), fundador e primeiro presidente da Proesporte (entidade fundada em Chapecó reunindo várias modalidades com intuito de fortalecer o esporte amador da cidade) e fundador da Liga Oeste Catarinense de Tênis de Mesa (Lotem).

Em seu currículo, Cleberson tem ainda a idealização e execução de projetos que promoveram o tênis de mesa em Chapecó e região, como o projeto que trouxe Hugo Hoyama em 2009 para disputa dos Jogos Abertos em Chapecó, e por último em novembro de 2016, a realização do Campeonato Brasileiro de Tênis de Mesa em Chapecó. Lembrando que todas essas ações foram realizadas paralelamente a sua vida profissional, pois, excetuando a época que era remunerado pela função de técnico da equipe chapecoense de tênis de mesa, promovia tais atividades apenas pelo amor ao esporte.

Desde que assumiu o comando do tênis de mesa em Chapecó, em meados da década de 90, nunca se limitou a desenvolver a modalidade apenas em Chapecó, buscando sempre aproximar e agregar os municípios da região para que todos pudessem crescer e a modalidade se consolidar no oeste catarinense. Foi idealizador da Copa Chapecó, competição que permitia clubes menores da região disputar competições com valores acessíveis, já que não tinham condições de disputar o circuito catarinense e outras competições com demandas financeiras maiores. Podemos identificar aí a primeira semente plantada para que hoje tenhamos um circuito regional consolidado.

No início dos anos 2000, Cleberson conheceu outra paixão profissional, o Jornalismo. Trancou o curso de Direito que fazia na época e embarcou convictamente no jornalismo, sonhando que um dia conseguiria juntar as duas paixões: o esporte e o jornalismo. Nesse momento também começou um processo de transição, onde Cleberson teve que se afastar do comando técnico da equipe chapecoense para iniciar sua carreira no jornalismo, porém em nenhum momento abandonou o tênis de mesa, seguindo como atleta e coordenando as ações da modalidade no município e região. Nessa mesma época outros municípios surgiram no cenário regional da modalidade, iniciando um processo de aproximação entre todos, dando início à Liga Oeste Catarinense de Tênis de Mesa. Desde o início Cleberson foi fundamental para desenvolver e viabilizar a ideia. Atuou como coordenador por vários anos, fez parte das diretorias e somente tinha se afastado da parte operacional do circuito nos últimos anos por circunstancias de seu trabalho atual, mas sempre participava e influenciava nas decisões da entidade.

Nos últimos anos Cleberson vinha realizando um grande sonho, que era juntar jornalismo e esporte. Mas era ainda muito mais que isso, pois se tratava de trabalhar no projeto do time de futebol de sua cidade, que escrevia uma bela história no futebol nacional e internacional, e ele era um dos responsáveis por contar. Cleberson era assessor de imprensa da Chapecoense, time que teve uma ascensão meteórica no futebol nacional e internacional, mas que acabou de maneira surreal, numa tragédia de proporção infinitamente maior que sua ascensão. Cleberson realizou alguns sonhos, vivia seu melhor momento profissional e pessoal, mas com certeza tinha tantos outros projetos pela frente. Muitos desses estavam relacionados a uma de suas paixões que era o tênis de mesa. Ninguém conseguirá substituir sua presença nesse meio, mas dar continuidade ao seu legado, preservando sua memória e história é o mínimo que pode ser feito. É inquestionável que Cleberson é o maior nome e personagem do tênis de mesa do Oeste de Santa Catarina e um dos principais de todo estado. Sendo assim e de forma unanime, decidiu – se que a partir de 2017 o circuito oeste de tênis de mesa levará seu nome “Troféu Cleberson Fernando da Silva”, uma maneira de homenagear aquele que sempre lutou pelo esporte e também uma forma de preservar sua presença e sua história no cenário regional e estadual da modalidade.